• Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro

A Financeirização Urbana no Brasil

Atualizado: 13 de out. de 2021

O nosso grupo de pesquisa tem procurado entender as particularidades do processo de financeirização urbana no Brasil. A principal questão orientadora desta reflexão localiza no fato do avanço deste processo entre nós é o seu caráter dependente e subordinado. A consequência é a lógica de funcionamento do nosso sistema financeiro-monetário está determinada pelo seu papel na valorização da liquidez mundial.


É o que aprendemos com os trabalhos da Leda Paulani. A segunda questão é a importância do dívida pública como o principal ativo deste sistema, oferencendo sempre liquidez e rentabilidade às várias frações do capital-dinheiro e sendo balizador das possibilidades dos outros ativos financeiros. A terceira relaciona-se com a enorme centralidade das instituições bancárias no sistema financeiro que incorporaram muitas das funções de outros atores não-bancários presentes na financeirização nos países centrais.


Neste direção, nos interessa conhecer e discutir o recente texto publicado pelo Observatório do Sistema Financeiro do Instituto d Economia da UFRJ: “Taxa de lucro dos bancos no Brasil: uma análise dos seus componentes e de sua evolução no período 2015-2020” . Nele, os autores Norberto Montani Martins, Dalton Filho, Luiz Macahyba e Paula Marina Sarno evidenciam a poder do pequeno grupo de bancos em controlarem a rentabilidade desta fração do capital-monetário, não obstante a estagnação econômica do período e mesmo a crise gerada pela pandemia.


Três razões podem podem ser destacadas na explicação deste aparente paradoxo: a) as estratégias dia bancos em diminuir os custos da captação frente à queda da Selic frente à sua capacidade de manter elevado os juros cobrados na concessão de crédito; b) a concentração dos empréstimos às famílias em detrimento das empresas; c) elevados preços dos serviços bancários cobrados dos clientes.


A concentração no controle do capital monetário em alguns bancos, a elevada rentabilidade e a forte liquidez condiciona a relevância quantitativa no mercado de capitais de outros ativos financeiros, como os fundos imobiliários, debêntures incentivadas, entre outras.


A seguir alguns gráficos ilustrativos retirados do trabalho citado, cuja cópia está disponível pelo acesso ao link: